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Artigos › 12/03/2018

A necessidade de um pluralismo legítimo

Nos últimos tempos, diante de uma certa incompreensão que leva a polarizações e classificações anacrônicas das tendências sociopolíticas diversas dos fiéis cristãos, na Igreja e na sociedade, é bom recordar o valor de um legítimo pluralismo. O Papa Paulo VI chamando atenção a este ponto e convocando a um discernimento expressava: nas diferentes situações concretas e tendo presente as solidariedades vividas por cada um, é necessário reconhecer uma variedade legítima de opções possíveis. Uma mesma fé pode levar a assumir compromissos diferentes.

A Igreja convida todos os cristãos para uma dupla tarefa de animação e inovação, a fim de fazerem evoluir as estruturas e as adaptarem às verdadeiras necessidades atuais (OA nº 50). No nº 573, do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, citando o mesmo Papa, se acrescenta: as instâncias da fé cristã dificilmente podem ser encontradas numa única posição política, pois pretender que um partido ou uma corrente política correspondam completamente às exigências da fé e da vida cristã gera equívocos perigosos. E no mesmo parágrafo do nº 573 se conclui: o cristão não pode encontrar um partido que corresponda plenamente às exigências éticas que nascem da fé e da pertença à Igreja, a sua adesão a uma corrente política não será jamais ideológica, mas sempre crítica, a fim de que o partido e o seu projeto político sejam estimulados a realizar formas sempre mais atentas a obter o bem comum. É bom ter em conta um dos princípios da Evangelii Gaudium que, segundo o Papa Francisco, orientam o desenvolvimento da convivência social e a construção de um povo onde as diferenças se harmonizam dentro de um projeto comum: a realidade é mais importante do que a ideia. Isto supõe evitar várias formas de ocultar a realidade, os purismos angélicos, os totalitarismos do relativo, os nominalismos declaracionistas, os projetos mais formais que reais, os fundamentalismos anti-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria. Lembrar, sempre, que as pessoas são o centro de qualquer sistema ou ideário e que a política deve estar a serviço da vida e da fraternidade inclusiva entre todos os homens e mulheres. Deus seja louvado!

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz Bispo de Campos (RJ)